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A Necessidade de Proteínas Autor: Bassit R.A. 2003 |
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Respostas das Perguntas feitas ao Dr. Reinaldo Tubarão Bassit, Referentes ao Colóquio Sobre HMB, BCAA, DHEA, Tribulus Terrestris, durante o Congresso Internacional do Gatorade Sport Science Institute-2003 (GSSI) Dr. Reinaldo A. Bassit 1) Quais são as vantagens atribuídas ao uso de BCAA quando ingerido por maratonistas profissionais ou por indivíduos praticantes de musculação? r. Uma série de estudos mostra não haver efeitos sobre a performance quando do uso de BCAA, outros atribuem uma melhora no tempo de corrida na Maratona quando é feita a suplementação desses aminoácidos. O fato é que indivíduos engajados em atividade física de endurance extenuante oxidam maior quantidade de BCAA, principalmente a leucina, para a manutenção da produção de energia via ciclo de Krebs. Adicionalmente a isso, esse tipo de esforço geralmente leva à diminuição da glicemia e do glicogênio muscular, além de aumentar a concentração plasmática do hormônio cortisol, que estimula o catabolismo protéico. Esses fatores associados levam a uma proteólise intensa fazendo jus à suplementação com esses aminoácidos. Entretanto, os efeitos sobre a performance não são, até o momento, comprovados, mas é sabido que com a suplementação dos BCAA, nessa situação, ocorre a manutenção da concentração de glutamina plasmática, aminoácido que favorece a atividade do sistema imunológico evitando que atletas fiquem suscetíveis a aquisição de doenças infecciosas, principalmente as do trato respiratório superior como gripes, resfriados, faringites, laringites, sinusites, herpes e outras. 2) O uso esporádico ou prolongado do BCAA pode afetar os sistema nervoso central a ponto de gerar uma sensação de sonolência? r. Um estudo realizado na Inglaterra, com a finalidade de verificar o efeito da suplementação de BCAA sobre a habilidade de raciocínio, revelou que doses de 300mg/kg/dia aumentam a performance mental. Porém, como a dose utilizada é considerada alta, após a interrupção brusca da ingestão de BCAA os indivíduos que participaram do estudo apresentaram um quadro de fadiga generalizada e sonolência acentuada. Isso foi atribuído ao desbalanço entre os aminoácidos BCAA e o Triptofano, que nessa condição aumenta em relação aos aminoácidos ramificados levando a instalação do quadro chamado de "fadiga central". Considerando-se que o uso preconizado de BCAA é da ordem de 50mg/kg/dia, dose na qual não existe alteração metabólica que coloque a performance do indivíduo em risco, dificilmente o quadro de desbalanço pós-suplementação é alcançado. 3) O uso do hormônio DHEA é considerado dopping? r. Sim. O Comitê Olímpico Internacional enquadra o uso de DHEA como substância dopante (classificado na lista de agentes anabólicos - um esteróide anabólico androgênico) se for encontrado uma relação Testosterona/Epitestosterona superior a 6 para 1. 4) O que é o HMb? Dê onde ele vem? r.É um metabólito bioativo conhecido como b-hidroxi-b-metilbutirato. O HMb é gerado pela degradação do aminoácido essencial de cadeia ramificada a leucina. É atribuído a esse composto a capacidade de diminuir a degradação protéica durante o estresse. Além disso, alguns trabalhos mostram haver o efeito do aumento da oxidação de gorduras em células cultivadas (modelos in vitro) na presença de HMb. A síntese endógena desse metabólito pode variar entre 0,3 a 1,0g/dia, do qual 5% é derivado do catabolismo da leucina obtida da dieta. Contudo o mecanismo exato da ação do HMb no metabolismo muscular, no aumento da força, e na composição corporal permanece ainda desconhecido. Assim, são necessários outros estudos no sentido de avaliar os efeitos da suplementação, em longo prazo, e a segurança com relação a saúde dos indivíduos. 5) O que é Tribulus Terrestris? Qual é o seu efeito no organismo? r. O Tribulus Terrestris é uma planta que cresce em climas moderados e em algumas regiões tropicais. É utilizada na Índia, Grécia e China há centenas de anos como planta medicinal, sendo atribuído a essa efeitos como: aumento da libido e da imunidade; diurético natural; antiséptico, antiinflamatório; contra doenças cardiovasculares e renais; e contra a infertilidade do homem. No homem, pode ocorrer o aumento do hormônio LH que é precursor de testosterona; na mulher, parece promover o aumento do hormônio FSH que tem a propriedade de aumentar a produção do estradiol. Em ambos os casos, o aumento dos hormônios esteróides é considerado efeito indireto, e nada garante que isso tenha o efeito anabólico no músculo esquelético, visto que esse aumento parece ocorrer em nível fisiológico normal. Por conter substâncias como as saponinas, o Tribulus Terrestris é altamente agressivo ao trato gastrointestinal, causando irritação estomacal e posteriormente gastrite. Além disso, relatos confirmam o aparecimento de litíase renal com o uso dessa substância. 6) O DHEA e o Tribulus Terrestris se transformam em testosterona ou estimulam a produção dela? r. O Tribulus Terrestris parece aumentar a concentração de precursores da testosterona (LH, no homem; e FSH-Estradiol na mulher). O DHEA pode ser transformado em testosterona através de sua conversão a androstenediona, e posteriormente testosterona, dentro de uma via que começa com a transformação do colesterol à Pregnanolona. Há relatos de que o uso do Tribulus Terrestris associado ao DHEA ou androstenediona facilite o aumento da massa muscular, mas por enquanto isso não passa de especulação. 7) Qual é a função das enzimas aromatases? r. Na via de síntese da testosterona as aromatases tem a capacidade de fazer a conversão do hormônio intermediário androstenediona à estrona e estrógenos, que são hormônios femininos, diminuindo assim a formação de testosterona a partir de androstenediona. Esse efeito é aquele denominado de aromatização hormonal, pelo qual podem passar a maioria dos esteróides anabólicos androgênicos. Em outras palavras, todos os anabólicos esteróides androgênicos podem levar ao surgimento, secundário, de caracteres sexuais femininos. |
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